terça-feira, 30 de março de 2010

É o que é.

Esse não era pra ser um blog triste. Juro! Mas se fosse falar outras coisas que não a minha tristeza, no mínimo não escreveria nada.
Não consigo falar sobre mais nada. Não consigo pensar em mais nada. Simplesmente porque não sinto mais nada.
É uma dor tão grande que me sufoca, me cega, me toma, me treme, me abafa, me arrasa, me grita, me cala, e aos poucos me mata.
Como pode uma agonia tão constante, tão desesperadora, vir tão decidida morar dentro do meu peito, e não mais deixar espaço pra mim?
Eu não vivo mais. Tenho somente existido. E muito mal, resistido a, por e com essa dor.
O mais engraçado de tudo é que as pessoas que comigo convivem, não percebem tamanha tristeza no meu olhar, que tanto revela; no meu falar, que tudo esconde. E todos os dias tem gosto de desamor.
Hoje na aula de literatura, analisamos um quadro. Com cores fortes, gritantes. E nesse quadro, havia também uma menina. Uma menina Aparentemente tranquila, serena. Haviam pessoas no quadro também, mas a menina estava, ainda sim, só.
A pintura era uma paisagem vista de fora pra dentro.
Me vi nessa pintura. Nessa menina que aparentava calma, mas na verdade gritava. Gritava tanto, que ninguem ouvia. Gritava em silêncio. Grito em silêncio. Grito tanto, que ninguem ouve.
Há momentos de desespero na vida. Esse é um deles.
"Eu não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada." Nada além do que sou. Sou agora triste. Essa tristeza é minha, e eu sou dela.

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