domingo, 9 de setembro de 2012

Não gostei do texto. Não darei um título.

Há 24 horas não a vejo, mas poderiam ser 24 dias, semanas, meses, anos, que a dor me parece a mesma. Eu ando meio bloqueada pra escrever, ultimamente. Atribuo isso à felicidade, porque felicidade demais deixa a gente idiota, e a gente não pensa em se matar, ou em matar ninguém. A gente só pensa em viver, e sorrir, e cantar, e ninguém quer ler sobre isso. Felicidade é chata pra quem não a está sentindo. Interessante mesmo é o sofrimento, e de preferência, o sofrimento alheio. Quem em sã consciência vai querer ler sobre quantas vezes eu penso nela ao dia? Ou sobre quantas vezes o meu coração aperta pra não me deixar esquecer dela um segundo sequer? Sobre como eu decorei a voz dela, as sardas, a gargalhada, o perfume, o olhar, o sorriso... Não! Definitivamente ninguém quer ler sobre isso. Então vou escrever sobre a dor do vazio gritante que fica em mim quando ela não está. Vou escrever sobre o medo absurdo de perdê-la, que consome minha sanidade aos poucos. Sobre a vontade que tenho de desistir, às vezes. Desistir de respirar, porque respirar só serve se for o mesmo ar que ela respira, e eu tenho tanto medo de um dia ter de aprender a respirar sem ela, que sinto uma louca vontade de deixar de respirar de vez. É como se eu precisasse morrer antes de ter que viver sem ela. É absurdo, e assustador, principalmente pra mim. É como se passasse uma vida comendo restos, e de repente tivesse um banquete na sua frente. Você tem medo de comer rápido, e acabar com tudo de uma vez, mas também entra em pânico ao pensar em comer devagar, e tudo estragar. É desesperador amar tanto alguém assim, mas confesso que não gostaria que fosse diferente. Gosto do desespero. Não sei ser simples, ou comum. Gosto de intensidade, de sentir que é verdadeiro. A dor de cotovelo constante, o coração sempre prestes a sair sambando do peito como rainha de bateria, borboletas no estômago que parecem querer se libertar, mas não conseguem, e o choro preso na garganta, parecem tortura, mas não. É amor. É amor quando ela está aqui, e quando não está. Mesmo quando dói, é amor. Mas não mudaria uma coisinha sequer, afinal, a gente precisa suportar uns espinhos quando se quer cuidar de uma rosa.