Era uma vez, uma menininha ingênua, com mania de se entregar fácil demais, e de querer demais também.
Ela achava o mundo um lugar bonito, e julgava as pessoas como potencialmente boas, em sua totalidade.
Acreditava em anjos, e em uma força maior que tudo, que movia o mundo e sua beleza, e que tocava as pessoas, aflorando sua bondade. Uma força chamada amor.
E ela era feliz! Feliz por estar viva, e por poder vivenciar algo tão mágico.
Essa menininha não entendia o ódio, a indiferença, e o rancor entre as pessoas.
Ela desejava abraçar o mundo, e guardar as pessoas que sofrem dentro do peito, num lugar quentinho do coração.
Ela sonhava em abrandar as dores, alimentar as almas, e destruir essa maldade gratuita disseminada como a coisa mais natural.
Ela não podia aceitar um mundo onde a dureza do coração é invejada, e o altruísmo é desacreditado.
Mas essa menininha foi crescendo, e foi descobrindo lágrima por lágrima, que tudo não passava de uma ideia romântica, e que a maioria das pessoas a achava idiota por pensar assim, e a incentivava a mudar tudo o que ela é, pra se adaptar, pra sobreviver nesse mundo caótico, onde os fortes são os que sentem menos, os que se importam menos.
Um mundo onde o cinismo reina, e todo mundo finge ser melhor do que é, mas na verdade tá morto, e podre por dentro.
Um mundo onde a bondade é explorada e tratada como fraqueza, e a maldade recompensada.
Essa menininha foi morrendo um pouquinho a cada dia, mas ainda estava consciente. E assim ela foi se tornando mais um desses zumbis, cheios de dor e agonia.
Foi descobrindo que sobreviver sem uma postura correta, e uma visão que é considerada romântica do mundo, é muito mais sábio e aceitável do que ter orgulho de quem se é, e não sentir nojo ao olhar o reflexo no espelho.
Ela definhou, e sufocou nos sonhos frustrados e nas esperanças vazias, de que tudo vai acabar bem... FIM
Desde o começo eu sabia que estava fadado ao fracasso. Mesmo assim insisti. Insisti num encaixe torto, com uma base frágil, esperando que se sustentasse com os sorrisos bobos que meu peito dava quando meu pensamento pousava em você. Uma alegria tão grande, que achei que fosse suficiente pra completar nós duas. Não foi. E acabei assim me tornando a louca que sente demais, ama demais, quer demais, e sofre demais, com pensamentos demais sobre a reciprocidade de menos.
Lembro-me de você dizendo que não tem o costume de mergulhar de cabeça numa relação, enquanto eu pensava em coisas como aparecer na sua porta debaixo de chuva, só pra dizer que você é linda, e talvez assim, melhorar seu dia pelo menos um pouquinho. Lembro-me de você dizendo que quatro meses era muito pouco tempo pra se assumir um namoro, enquanto eu já tinha um par de alianças dentro de uma caixinha de veludo, só esperando o momento certo pra te pedir pra ser só minha.
Cansei de correr atrás. Cansei de dedicar meu tempo, e meus esforços pra alguém que não moveria um dedo por mim. Cansei de sentir sozinha, gritando por dentro, e sorrindo pra que você não notasse. Cansei de ouvir que você não prestava, e mesmo assim fazer de tudo pra provar a todos que isso poderia mudar. Cansei de ligar. Cansei de me preocupar. Cansei de querer. Cansei de relevar. Cansei de me fazer de boba, fingindo acreditar nas suas mentiras. Cansei de tudo que tenha você. Cansei até de mim, que infelizmente tenho você exalando pelos poros.
Não quero mais esse conto de fadas que vivo com você, enquanto você o vive com outra pessoa. Não quero mais ser a pessoa decente que tem o coração bonito, que você adora pisar. Não quero mais seu olhar nas minhas lembranças, ou sua risada ecoando no silêncio do meu quarto. Não quero mais agonizar de saudades, enquanto você guarda seu amor pra outra pessoa. Não quero nem meu nome junto com o seu na mesma frase. Não quero mais me sentir estúpida por querer te fazer sorrir, enquanto você nem se abala quando me faz chorar. Não quero mais querer você.
Estou dando um final a essa história sem começo. Não vou mais escrever uma linha sequer sobre você nesse blog. Não vou dedicar mais nenhum pedacinho de mim a você. Vá procurar outro peito pra morar que não o meu! Vá procurar outro coração pra partir! Vá ser feliz à custa da paz de outra pessoa, porque pra mim já deu! E não vou guardar rancor de você, porque me recuso a guardar qualquer coisa ruim que seja herança sua.
Uma amiga me disse: “finalize a história! O texto, e o motivo dele.” Estou finalizando. Esse é o fim de você em mim.