O dia começou gostoso... Céu nublado, temperatura amena, vento suave no rosto como que me acordando com carinho.
Acordei! Mas não quis levantar. Não ainda. Só um pouco mais do mundo dos sonhos. Só um pouco menos realidade. Só um pouco mais do menos...
Alcancei-me o celular, coloquei uma música calma, fechei meus olhos e voltei a sonhar... Só que dessa vez, acordada, consciente.
Sonhos bonitos, plausíveis, que me trazem uma falsa sensação de felicidade, paz.
Nesse momento eu sou alguém, tenho sucesso, sou amada. Amada por mim, principalmente. Nesse momento eu me basto. E falsamente sou feliz.
"Só depende de você!"
"Você consegue!"
"Você é capaz!"
"Corra atráz dos seus sonhos!"
"Faça!"
"Levante!"
"Viva!"
Essas frases sendo ditas a mim por mim mesma, me despertam da vida paralela.
Levantei-me.
Tomei café, olhei a rua. Calmaria.
Começa o dia.
Começa minha mãe.
"Você precisa ir embora! Viver sua vida em outro lugar, que não o meu teto. A casa é minha!"
Saco!!
Só vou embora agora quando tiver a certeza que não volto mais! Não volto mais! Não volto!
Humilhante demais ter que pedir abrigo pra alguém que não quer você por perto. Principalmente sendo sua própria mãe.
Mãe... Pensei saber o significado dessa palavra... Amor INCONDICIONAL. Isso! Pensei que fosse esse. Ou talvez, abrigo, base, proteção... Doce ilusão.
Irmãos, cunhadas, sobrinhas. Chegam todos em uma alegria contagiante. Abraços, beijos. Morte à saudade!
Almoço. Comida gostosa, dia gostoso apesar da rotina familiar.
Rotina superada. Foda-se ela! Foda-se! Não vai me abater!
Mentira!
Todos se vão e eu fico.
Droga! Mas que droga!
Quero ir também!
Quero outra vida... Outra eu...
O que fazer agora?
Quem vai me fazer esquecer de mim?
Dessa eu de verdade, a fracassada.
Minha cama. Meu mundinho. Meu refúgio.
De volta à vida paralela...
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