sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Fim da Ilusão
Eu amo o formato das suas mãos. A forma como tudo o que eu sou pode caber dentro delas é assustador, e magnífico. Eu amo como suas mãos tocam minha pele, e minha alma com uma delicadeza que só o amor tem. Essas mesmas mãos que me estapeiam quando digo besteira, me acariciam, e confortam.
Eu amo a forma que seu cabelo cai no rosto, eu te deixam com um ar de criança levada. Com uma carinha de que quer carinho mesmo depois de destruir meu canteiro de flores.
Eu amo cada sarda do seu rosto. Elas são como uma constelação, dando direção ao meu caminho.
Eu amo o seu sorriso infantil, que tem sempre muito de mulher, e toda vez que abre um sorriso todo o resto esvanece como se nunca nem tivesse existido.
Amo todas as possibilidades dos seus gestos, e sinais. Amo divagar sobre como você será quando tivermos nossos sessenta e tantos. Amo você em tantas maneiras que nem cabem mais em mim.
Amo a sua boca, seu beijo, mas odeio o silêncio que encobre as palavras que não saem dela. Ultimamente tenho odiado também as palavras que fogem, e me atravessam, me ferem sem piedade.
Mas mais do que todas as palavras e silêncios, odeio os seus olhos. Odeio a forma como você me vê. Odeio mais ainda quem eu sou pra você.
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